segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Coincidências

Lopetegui, Lopetegui, Lopetegui este nome ecoou na minha cabeça durante largas horas após o fecho da partida ontem no Estádio do Dragão e prolongou-se durante todo dia de hoje. Ora estou a fazer as minhas tarefas diárias normais, ora estou com este nome a atormentar-me a cabeça juntamente com o jogo de ontem.

Confesso que não considero o Lopetegui culpado pelo resultado de ontem… É verdade que mais uma vez houve mexidas, mas as mexidas não foram assim tão absurdas. Na defesa era obrigatório fazê-lo fruto do castigado Maxi Pereira que deve ter batido um recorde da Liga do maior número de cartões num curto espaço de jogos, no ataque a entrada de Tello que parecia estar a subir de forma invés de um Corona em queda também fazia sentido, e no meio campo a entrada de Danilo para o lugar de Ruben Neves não era assim tão estapafúrdio, ainda que Ruben Neves esteja em grande forma e nenhum portista o queira ver no banco, apesar de achar que a qualidade de passe poderia ter sido decisiva para desmontar aquele bloco defensivo bracarense.

Todavia acho que o principal problema foi mesmo o facto de termos jogado grande parte do jogo com 10 unidades em campo naquilo que foi um jogo muito semelhante ao com o Boavista na época passada também no Estádio do Dragão aquando da expulsão do Maicon. Aqui estávamos com 11 corpos, mas com um que nada acrescentava ao jogo, falo claramente de Aly Cissokho, a nossa melhor venda de sempre.

Quando passou pelo Dragão pela primeira vez rapidamente se afirmou e prometeu muito, mas com este regresso está acima de tudo a demonstrar porque fracassou por praticamente todas as equipas por onde passou desde que nos abandonou. O jogador até entrou com vontade de fazer algo em campo e até nem comprometeu muito defensivamente (também não teve trabalho) apesar de estar muitas vezes mal posicionado, o problema é que jogando contra um autocarro defensivo era importante desbloqueá-lo com dinâmicas e movimentos ofensivos consolidados, algo que Cissokho não tem. Era raro o momento em que se envolvia como deve ser no ataque, não se desmarcava e quando recebia a bola nunca sabia o que fazer com ela acabando quase sempre por passar para trás. Tentou um cruzamento que saiu um disparate e partiu uma vez para cima da defesa perdendo a bola demorando depois a recuperar. Jogo terrível por parte de um jogador que dificilmente voltará a vestir a nossa camisola. Antes Bruno Martins Indi! 

Mas o pobre do Cissokho não foi o único culpado deste desastre, sim considero que o que se passou ontem foi um verdadeiro desastre. Do Cissokho não esperava mais do que aquilo que ele deu, mas esperava mais por parte de outros jogadores, nomeadamente André André que não apareceu no jogo tirando um remate ao lado, Imbula que também não apareceu (foram complemante engolidos pelo meio campo do Braga) e Tello que parecia estar a subir de forma, conforme tinha dito, e que até se mostrou bastante envolvido no jogo, mas que continuou a decidir quase sempre mal e no um para um nunca ganhou um lance. Aliado a isto a lesão do nosso maior desiquilibrador que por sinal até já tinha perdido dois ou três lances de perigo iminente, o Brahimi, as coisas foram-se complicando cada vez mais.

Como senão bastasse acho que Lopetegui ainda não percebeu muito bem como se ganha jogos em Portugal, algo que o seu homólogo que segue agora isolado na liderança sabe perfeitamente. Em Portugal tradicionalmente jogamos contra equipas com blocos defensivos excessivamente baixos e que saem para o contra-ataque de forma rápida é por isso importantíssimo fazer o primeiro golo o mais rapidamente possível, carregar a equipa desde de início para tentar marcar e assim obrigar a desmonta-la, porque depois de entrar o primeiro o jogo torna-se bastante mais fácil. Com Lopetegui o Porto entra sempre em campo de forma bastante passiva, por vezes sofrendo golos bastante cedo e a ter que andar à procura do prejuízo o resto do jogo. Ontem foi mais um exemplo disso, tirando um lance de Aboubakar perto dos 10 minutos, o Porto não fez nada no jogo até cerca da meia hora onde ai sim começou a jogar e a carregar. E carregou, carregou, carregou praticamente até ao fim do jogo, muitas vezes sem critério nenhum e fez cerca de duas dezenas de remates, com Casillas a espetador e empatou… O mesmo que se passou com o Boavista o ano passado por exemplo. E isto acontece sucessivamente… E ao fim de oito jornadas estamos em segundo lugar com 6 pontos perdidos, fruto de três empates, um deles contra o último classificado, outro em casa e outro contra o terrível colosso que aos anos nos atormenta que é o Marítimo. Curiosamente o ano passado por esta altura tínhamos exatamente 6 pontos perdidos frutos de três empates, Sporting e Guimarães fora em que fomos prejudicados pela arbitragem (este ano nem essa abébia podemos dar) e o Boavista em casa. Já agora escusado será dizer o que significa perder 6 pontos em 8 jogos num campeonato como o nosso!

E como se as coincidências não bastassem, pelo terceiro ano consecutivo ouvimos o nosso treinador a dizer que tem a certeza que no final será campeão. Se as coincidências se manterem todos sabemos o que isto significa e eu nem sequer sou preconceituoso, mas já é coincidência a mais.

Enfim, em mais um arranque de época, já nos encontramos mais uma vez a correr atrás do prejuízo algo que acontece pela quinta época consecutiva, duas delas com os resultados que todos sabemos.O que esperar daqui para a frente? Como Martins Indi diz, só Deus Sabe!

1 comentário:

  1. Flopetego nem sabe os jogadores que tem, e inventa todos os jogos!
    RUBANEVES TITULAR INDISCUTIVEL!

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