quarta-feira, 30 de março de 2016

Afinal ainda estamos nas competições europeias

Como um deslocado adepto do Futebol Clube do Porto tenho algumas dificuldades a marcar presença em jogos com horários complicados. Jogos das competições europeias por exemplo, a não ser que sejam antecipadamente planeados, são difíceis de poder assistir. Quanto a isso nada a fazer sempre foi e sempre será assim.


Todavia, o que me deixa realmente perplexo é o horário dos outros jogos como os do campeonato. Sou detentor do Dragon Seat e por um motivo é, gosto de estar presente na maioria dos jogos, a ganhar ou a perder. Infelizmente os horários nem sempre são os melhores. 

Com a eliminação das competições europeias pensei que o clube ia aproveitar para tentar fazer algo que dificilmente tem conseguido esta temporada, meter gente no estádio. Mas não! Alias, os horários dos jogos continuam a dar a ideia que estamos nas competições europeias e a jogar três vezes por semana. Reparem só que o jogo com o Tondela na próxima jornada é uma segunda-feira. Não bastasse o jogo ser numa segunda-feira, ainda conseguiu ser numa segunda-feira às 19:00 para garantir que nem as boas pessoas da belíssima cidade do Porto possam comparecer a não ser que ou cheguem tarde ou saiam mais cedo do trabalho. Novo recorde de assistência negativo em perspetiva? Bem provável! 

Mas a brincadeira continua... Hoje foram marcados os horários para as duas jornadas seguintes. Provavelmente devido a um invisível jogo a meio da semana vamos ter que defrontar o Nacional da Madeira na jornada 30 num domingo. E se um domingo até é um dia bom e normal para haver jogos, anormal é o horário do jogo nada menos que as 20:30, o horário perfeito para afastar pessoas deslocadas como eu que no dia a seguir têm compromissos a alguns, no meu caso 300, quilómetros de distância. 

O porquê de isto acontecer ultrapassa-me, mas gostava de saber o motivo deste tipo de horários nojentos nos continua a ser designado constantemente enquanto outros clubes jogam ao sábado ou ao domingo e muitas vezes no perfeito horário do meio da tarde. Já não chega o exorbitante preço dos bilhetes (ainda que neste caso não seja afetado por isso)?

Posto isto resta-me rezar a Deus para que o jogo contra o Sporting não seja a uma sexta-feira às 18 da tarde, ainda que por este andar seja o mais provável. Afinal de contas a meio da semana seguinte há meias finais da Liga dos Campeões.

domingo, 20 de março de 2016

Um jogador à Porto

Numa altura em que tudo indica que estamos a caminhar para mais uma época de insucesso, estrutura e adeptos tentam encontrar os principais culpados para mais um ano que cimenta uma já duradoura crise.

Essa incessante procura de incriminar alguém por vezes faz com que nos esqueçamos que nem todos são maus e que ainda há jogadores que deixam tudo em campo ao contrário do que se diz.

Quando se fala em jogadores deste género tipicamente fala-se em Danilo Pereira, Maxi ou Layún, alias estes foram os exemplos dados pelo próprio presidente há um par de dias atrás, e esquecem-se do mexicano Héctor Herrera que por acaso tem capitaneado a equipa na maioria dos jogos. 

Falar em Herrera não é consensual, alias, provavelmente metade dos adeptos portistas não devem gostar do mexicano. Na primeira época sobre o leme de Paulo Fonseca não demonstrou o suficiente para justificar o investimento. Mas a verdade é que na época passada era inquestionável no onze de Lopetegui como médio de transição e não foi por acaso que foi premiado como atleta do ano na gala dos Dragões de Ouro. Basta olhar para os números no final de um jogo para perceber a importância do jogador, ninguém corre tantos quilómetros como ele! Para além de parecer que está sempre em todo lado, o mexicano de pulmão inesgotável é extremamente importante na pressão e na organização defensiva. 

Ainda assim, também ofensivamente Herrera demonstra toda a sua utilidade. É verdade que por vezes toma algumas más decisões, demora a fazer o passe ou faz um passe errado (e tem no currículo um par de jogos realmente maus, provavelmente responsáveis pela tal opinião errada que muitos adeptos têm dele), mas em muitas outras é o principal responsável por fazer o ataque mexer e mais uma vez aparecendo em praticamente todo o lado oferecendo quase sempre linhas de passes aos companheiros à esquerda, ao centro ou à direita. A isto junta-se um remate de grande qualidade, provavelmente o nosso médio que melhor remata a par do Sérgio Oliveira, que me faz questionar porque raios não tenta ele mais vezes. Basta pensar um bocadinho para perceber que Herrera tem provavelmente alguns dos melhores golos do Porto esta época e ontem perto do apito final quase fazia mais um golo de levantar o estádio que infelizmente passou a centímetros da baliza. Finalmente há algo que se calhar muitos, mais preocupados em tentar arranjar defeitos para criticar o jogador, não conseguem ver e que ontem por acaso tive mais uma vez a oportunidade de presenciar ao vivo, o fantástico toque de bola deste jogador. A forma como recebe a bola, como se vira para o jogo, como consegue facilmente driblar ou largar a bola é verdadeiramente impressionante e quanto mais ritmo e confiança vai ganhando melhor se percebe que os pés dele tratam a bola com arte e a qualidade só alcance de alguns. 

O estilo de jogo de Peseiro também acabou por beneficiar mais o estilo de jogo mexicano, habituado a um futebol mais vertical, o que lhe aumentou ainda mais o peso que ele tem na equipa, com mais liberdade em campo aparece mais vezes à frente em momentos decisivos e com isto o seu jogo também ganha. 

Para terminar é um jogador disposto a tudo... Já o vimos em todas as posições do meio campo, já o vimos a lateral e ainda ontem terminou o jogo a extremo. Em todas elas lutou como ninguém enquanto podia por um resultado melhor porque a verdade é que desde que esteja bem fisicamente nunca desiste, um profissional portanto, ou se os tempos fossem outros, um jogador à Porto, um exemplo!