quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Noite de Decepções

Passado uma noite para refletir no que se passou é altura de deitar mãos ao teclado. Após duas noites europeias de pesadelo para as equipas portuguesas está escrevo em particular sobre o Futebol Clube do Porto, depois de uma noite absolutamente incompreensível no Estádio do Dragão.

Sempre achei que ao contrário do que muita gente dizia o nosso grupo não era assim tão fácil e para o ultrapassarmos, apesar de sermos claramente favoritos a fazê-lo, teriamos que ser muito competentes. Ora ao fim do primeiro jogo competência, palavra que Nuno Espirito Santo tanto usa nas conferências de imprensa, foi algo que não se viu no jogo de ontem naquela que foi para mim sem sombra de dúvida a pior exibição da época até ao momento. A retirar do jogo? Nada de positivo e não concordo com aquilo que foi dito por treinadores e jogadores de que se tratou de um jogo de duas partes, porque a realidade é que não foi. Foi um jogo muito semelhante durante os 90 minutos com um Porto muito apático que por acaso marcou cedo mas tendo sempre criado poucas oportunidades para golo e tendo poucas ideias. Passar a segunda parte a jogar contra 10 a bombear bolas para a área quando eramos claramente inferiores no jogo aéreo é uma prova da falta de ideias que houve, a par disto vimos uma equipa apática e sem agressividade como de resto se demonstrou no lance do golo do Copenhaga. Já o Copenhaga usou e abusou do jogo físico e áereo tal como seria de esperar e colheu frutos.

Ora para uma equipa que se diz em crescendo e em  evolução fazer um jogo destes ainda por cima em casa numa noite de Champions contra um adversário que teriamos obrigatoriamente que vencer, um adversário não fácil, mas acessível, faz-nos refletir sobre essa mesma evolução. Mas vamos falar de individualidades:

Casillas - Fez uma ou duas boas defesas mas esteve mal no golo. Já não é a primeira vez que Iker anda aos papéis em lances do género, não sabendo se há-de ir à bola, se há-de ficar à espera o  que acaba sempre por culminar em falhas de comunicação com a defesa e em golos sofridos.

Layún - Dos que mais lutou para não variar. O mexicano tem um pulmão inesgotável e tentou sempre pela direita ou pelo meio acrescentar algo de diferente à equipa, mas a verdade é que as coisas não lhe iam saindo bem  e quando saiam não tinha quem lhe desse seguimento.

Felipe - Não teve muito trabalho porque o Copenhaga pouco atacou, mas sentiu dificuldades no jogo aéreo contra adversários muito fortes neste estilo de jogo.

Marcano - A mesma coisa que Felipe, não teve muito trabalho, mas sentiu dificuldades.

Alex Telles - Foi facilmente batido no lance do golo e não acrescentou nada ofensivamente. Um par de cruzamentos mal medidos e pouco mais, jogo muito fraco do brasileiro.

Danilo Pereira - Continuo a não perceber porque Danilo tem jogado tantas vezes a titular esta época. Continuo a achar que está numa condição física deficiente  que tem tomado várias decisões erradas no momento do passe durante os jogos para não falar que tem estado muito pouco agressivo a defender. Cresceu nos minutos finais ajudando na recuperação alta, mas se calhar está na altura de outros jogadores, nomeadamente Ruben Neves, terem mais oportunidades. 

Herrera - Infelizmente esteve em campo durante 70 minutos.

Óliver - Deu critério à equipa em alguns momentos do jogo, pensando o jogo e tentanto fazer a equipa jogar. Foi-se apagando com os minutos a passar.

Corona - Infelizmente esteve em campo durante 62 minutos.

Otávio - Boa primeira parte do brasileiro e um belo golo. Durante a primeira parte para variar foi dos que mais lutou e dos que mais tentou desiquilibrar. Como também quase sempre acontece, na segunda pouco ou nada fez e apagou-se completamente. Continua a mostrar duas faces completamente distintas durante o jogo, desde de muito interventivo e certeiro, a extremamente apático e errático. 

André Silva - Já não sei o que pensar sobre André Silva. Se ao ínicio defendia com unhas e dentes a sua titularidade e dizia que não havia necessidade de contratarmos um avançado de grande qualidade para lutar  por um lugar no onze deixando André Silva crescer à sua sombra, hoje começo a pensar de forma diferente. André Silva entrou muito bem nos primeiros jogos, lutou, marcou, jogou e fez jogar. Nos últimos dois, três jogos tal não tem acontecido. André Silva tem demonstrado imaturidade nos momentos de decisão não percebendo os momentos em que tem que passar ou rematar à baliza. Depois vemo-lo a correr muitas vezes dum lado para o outro sem qualquer tipo de necessidade. Ontem tirando a assistência para Otávio não acrescentou nada ao jogo da equipa, não ganhando bolas na frente, decidindo quase sempre mal e estando quase sempre mal posicionado não dando o melhor seguimento a alguns lances, poucos, criados por parte dos seus colegas de equipa.

Depoitre - Entrou aos 62 minutos para o lugar de Corona e acrescentou altura e físico. Provavelmente não era a forma de combater a forma de jogar do Copenhaga e talvez por isso não acrescentou nada ao jogo.

Brahimi - Este sim poderia acrescentar algo ao jogo. A sua capacidade de drible era o ideal  para o tipo de jogo em questão e esteve bem durante os vinte minutos que teve em campo. Mostrou disponibilidade e vontade partindo para cima dos adversários ainda que nem sempre com os melhores resultados. Pergunto-me o que teria acontecido se tivesse entrado mais cedo. Precisamos de mais Brahimi com urgência!

Jota - Tal como diante do Vitória não acrescentou nada ao jogo.

Nuno Espírito Santo - Igual a si próprio voltou a alterar a estratégia do jogo e a forma de a equipa se dispor em campo bem como o onze inicial. Nuno prefere claramente adaptar a sua equipa ao adversário do que fazer com que o adversário se adapte à sua equipa, algo que confesso não me chatear porque Mourinho também o fazia com os resultados que se sabe. Todavia há um conjunto de decisões não só para o jogo de ontem como ao longo de todos os jogos até então realizados que acho simplesmente incompreensíveis. Para começar ter deixado André André no banco. Não dá para entender como um dos jogadores que tem estado em melhor forma esta época e foi inclusive o melhor em campo diante do Vitória é preterido assim. Os melhores tem que jogar sempre e André André tem sido dos melhores, portanto ontem devia estar em campo. Ao que parece Adrián também já não conta de novo, depois de ter estado a treinar na equipa B, ter saltado para a A ter passado para primeira opção de banco e tendo inclusivamente jogado a titular, parece que o espanhol do nada voltou a perder o comboio e ontem nem convocado foi. Compreensível? Penso que não, mas há mais casos desse género como Sérgio Oliveira que chega dos Jogos Olimpicos diretamente para o banco, joga, mal é verdade, e nunca mais é convocado. Finalmente temos ainda o caso incompreensível de João Carlos Teixeira, dos melhores jogadores senão o melhor da pré-época a par de Otávio e André Silva e que conta com 0 minutos de tempo jogado em jogos oficias até  agora, um jogador que segundo Pinto da Costa foi um pedido expresso de Nuno. Pelo menos este não custou 11 ou 20 milhões, ainda assim dificil de entender.

Fase de Grupos - Não foi por termos empatado ontem no jogo em casa que deixamos de ser favoritos à passagem. Continuamos a ser favoritos e temos capacidade para ganhar os próximos cinco jogos que faltam, obviamente que não será com a atitude demonstrada no jogo de ontem. Resta saber como a equipa reagirá a este desaire já a partir do próximo domingo no jogo diante do Tondela e que Porto teremos daqui para a frente, se continuaremos a ir do oito ou oitenta como nas últimas temporadas, ou se vamos finalmente ter uma equipa consistente. 

Como últimas notas, o Futebol Clube do Porto já não ganha há quatro jogos seguidos em casa nas competições europeias registando-se duas derrotas contra Dinamo de Kiev e Dortmund e dois empates diante de Roma e Copenhaga. O Porto volta a vacilar depois de Pinto da Costa ter falado em público após uma vitória da equipa o que acontece pela segunda vez esta época. É estranho e pode não passar de uma coincidência, mas tem acontecido com frequência nas últimas temporadas.





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